Os resultados gerais demonstraram que a maioria dos Militares (52,35%) consideram que “sempre” a realização de horas extras é prejudicial para a saúde mental e (73,1%) responderam que nunca realizaram acompanhamento psicológico.

Por Gilberto Serato, Do Portal FNA
Domingo, 15 de agosto de 2021
Em artigo publicado na Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do Conhecimento, com o tema ‘Psicologia e Polícia Militar: Um Estudo sobre a mente policial no Estado do Acre”, a psicóloga Édila Mazília de Aguiar Pinto, de 27 anos, natural de Rio Branco-AC, especializada em Psicologia Jurídica, mostra em detalhes a percepção e as principais inquietações que aflingem a mente desses profissionais e suas possíveis consequências em sua vida e no trabalho.
O estudo caracterizou-se como quali-quantitativo, através da aplicação de questionário individual em uma escala de 20 questões, abordando assuntos relativos ao objetivo proposto. Os resultados gerais demonstraram que a maioria dos Militares (52,35%) consideram que “sempre” a realização de horas extras é prejudicial para a saúde mental; 49,05%, apontaram que “ás vezes” se sentiam emocionalmente cansados após um dia de trabalho; 63,20%, indicaram que “sempre” consideram o acompanhamento psicológico importante para a profissão; 52,35%, “às vezes” ou “sempre” consideram o trabalho estressante e 33,96%, “nunca” se sentem valorizados enquanto Policiais Militares.
Verifica-se que é necessárias intervenções que visem a promoção da saúde mental dos profissionais, a fim de efetivar a minimização de inquietações e sofrimentos produzidos principalmente pela atividade policial.
É uma profissão que possuí grande visibilidade na sociedade, e por isso, também é julgada por ela, tendo em vista que a polícia tem o dever de servir e proteger o cidadão, atuando diretamente nas ruas, em contato direto com a sociedade.
A pesquisa aponta que “os Policiais estão entre as profissões que mais sofrem de estresse. De fato, estão expostos a perigo, agressões e situações de problemas humanos de muito conflito e tensão. Em outros estudos, relatam que o estresse e outras queixas emocionais como suicídio, divórcio e alcoolismo estão bem presentes no meio Policial, e que: “entre 149 profissões estudadas, apenas 10 excediam a Policial em doenças do coração, diabetes, insônia, suicídio e outras relacionadas com o estresse”
Aponta-se ainda que o exercício profissional do Policial Militar pode influenciar outros setores de sua vida, já que a rigidez militar e as características do seu ofício pode influenciar seu modo de ser e agir, o que irá refletir em sua vida pessoal.
Na pesquisa, foi utilizado o método para averiguar opiniões concretas entre os entrevistados, buscando analisar de forma precisa as hipóteses levantadas, para comparar as respostas fornecidas, levando em consideração que a percepção dos próprios Policiais Militares acerca da sua saúde mental é pouco explorada.
Participaram no total 212 Policiais Militares lotados em (04) quatro Batalhões na Cidade de Rio Branco, e no interior do Estado do Acre, situado no Munícipio de Senador Guiomard. A pesquisa atingiu policiais da graduação de Oficiais e Praças. Os participantes foram de ambos os sexos, e que estavam em atividade. Policiais que estavam afastados momentaneamente das atividades ou em período de folga no dia da execução da pesquisa não participaram do estudo.

No 1° Batalhão, houve a participação de 109 Policiais, sendo que o gênero masculino representou 89,90% desse quantitativo, e o feminino 10,09%. A idade dos participantes foram entre 23 a 49 anos. Acerca da escolaridade, a maioria dos Policiais Militares afirmaram ter o ensino superior completo representado por 59,63%, seguido de 22,93% para o superior incompleto, 8,25%, continham pós-graduação e 5,50% o ensino médio completo.
No 2° Batalhão foram alcançados 63 Policiais Militares. O gênero masculino representou 95,23% e o feminino 4,76%. A idade dos participantes variou entre 21 a 50 anos. No que se refere a escolaridade, 52,38% dos militares afirmaram ter o ensino superior completo, 25,39% superior incompleto, 14,28% pós-graduação e 4,76% o ensino médio completo.
No 3° Batalhão participaram do estudo 20 policiais, representando 50% do efetivo. O gênero masculino representou 100% no geral. A idade dos participantes variou entre 24 a 55 anos. Sobre a escolaridade, a maioria dos policiais afirmaram ter o ensino superior completo (60%), seguido de 25% para superior incompleto, 5% pós-graduação e 5% ensino médio completo.
No 4° Batalhão, situado no Munícipio de Senador Guiomard, interior do Estado do Acre, 20 policiais participaram da pesquisa, representando 50% do efetivo. O gênero masculino foi predominante no estudo. A idade dos entrevistados foram entre 28 a 47 anos. No que se refere à escolaridade, observou-se que a maioria (50%) apresentava o ensino superior completo, a outra parte (15%) superior incompleto, 20% continham pós-graduação e 10% o ensino médio completo.
Inicialmente foi questionado se o relacionamento familiar já havia sido afetado por influência da profissão. O resultado geral apontou que a maioria (61,32%) dos policiais consideravam que “às vezes” já interferiu no convívio familiar.
As questões seguintes, abordavam sobre o tema de Psicologia. Os dados gerais apontaram que a maioria dos policiais (63,20%) “sempre” consideram o acompanhamento psicológico importante. Neste item, chama atenção as opções de “nunca” e “sempre” nas duas questões apresentadas, respondidas pelos Policiais Militares do 1° Batalhão. Onde 73,1% responderam que nunca realizaram acompanhamento psicológico e apenas 1,4% afirmaram que sempre realizam.
Em outra questão, foi abordado sobre ideação suicida e suicídio. Os resultados gerais apontaram que grande parte dos policiais “nunca” (85,84%) pensaram em cometer suicídio. No entanto, não deve desconsiderar as respostas acerca de pensamento suicida nos policiais entrevistados, onde o resultado geral apontou nas respostas 8,49%, na opção “raramente” e 5,66%, na opção “às vezes.
Acerca de tentativa de suicídio, destaca-se que foi a única questão aplicada em forma dicotômica, de sim ou não. O resultado geral apontou que 0,94% dos Policiais Militares já tentou suicídio e 99,05% afirmaram que não.
Posteriormente, averiguado se os policiais consideravam que a profissão policial os tornou em pessoas mais “frias”, grande parte (62,73%) responderam “às vezes”.
Foi investigado sobre estresse e se consideravam o trabalho policial estressante. A maioria (61,32%) dos respondentes assinalaram “às vezes”. Os dados revelaram ainda, que a maioria dos participantes consideram que “às vezes” (52,35%) ou “sempre” (40,56%) o trabalho laboral é estressante.
Em uma questão sobre a agressividade. Dessa maneira, a maioria (47,64%) dos participantes consideram que “às vezes” o trabalho policial o tornou em uma pessoa mais agressiva
A respeito sobre cansaço emocional como fator prejudicial à saúde mental dos policiais também foi avaliado. De acordo com os dados, foi possível identificar que os participantes consideram que “às vezes” (54,71%) a atividade policial interfere no emocional
Avaliou-se em uma questão sobre a realização de horas extras ocasionar prejuízo na saúde mental dos profissionais. Observou-se que foi unânime entre a maioria dos policiais dos quatro Batalhões, a opção “sempre”, com 52,35%.
Por fim, verificou se os participantes se sentiam valorizados enquanto Policiais Militares. A maioria dos respondentes assinalaram em “nunca” (33,96%) e “raramente (32,54%), apontando um descontentamento enquanto sentirem valorização profissional
Confira o artigo completo através do link: https://www.nucleodoconhecimento.com.br/psicologia/psicologia-e-policia
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